Uma ligação falsa para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode parecer uma brincadeira, mas pode custar um tempo precioso para uma pessoa que aguarda socorro. Em Minas Gerais, cerca de 5% das mais de 184 mil chamadas recebidas pelo serviço em janeiro de 2026 foram classificadas como trotes, segundo dados divulgados pelo Samu – na ponta do lápis, foram 9.200 telefonemas indevidos, média de 300 por dia.
Além de ocupar as linhas telefônicas, as chamadas falsas podem atrasar o atendimento de pacientes em situações graves, como acidentes, infartos, AVCs e outras ocorrências que exigem resposta rápida.
“O trote pode ser uma brincadeira para alguns, mas pode significar a vida de outros. O telefone do Samu que está ocupado com uma ligação dessas deixa de atender uma pessoa que precisa de ajuda urgente naquele exato momento”, alerta a profissional Poliana Cardoso.
A supervisora de enfermagem das bases descentralizadas de Lagoa Santa e Confins, Brisa Emanuele, lembra que qualquer pessoa pode precisar do serviço em algum momento. “Quando uma linha está ocupada por um trote, alguém que realmente necessita de atendimento pode ter dificuldade para conseguir ajuda. O serviço deve ser acionado apenas em situações reais de urgência em saúde”, afirma.
Trote pode virar caso de polícia
Além dos impactos no atendimento à população, o trote pode gerar consequências legais. O Código Penal Brasileiro prevê punição para quem interrompe ou perturba serviços telefônicos de utilidade pública, com pena que pode chegar a três anos de detenção, além de multa.
Em Minas Gerais, a Lei Estadual nº 22.452/2016 também prevê aplicação de multa para acionamentos indevidos de serviços de emergência, como Samu, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar.
“O alerta é direto: o número 192 deve ser utilizado apenas em situações reais de urgência. É muito importante conscientizar a todos de que o trote não é uma mera brincadeira. É uma atitude que pode custar a vida de alguém”, reforça a supervisora.

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