Bad Bunny ultrapassa recorde de audiência no Super Bowl e faz história

O cantor porto-riquenho Bad Bunny superou uma marca histórica durante sua apresentação no intervalo do Super Bowl, alcançando números recordes de audiência e engajamento. No ano passado, o rapper Kendrick Lamar alcançou a impressionante marca de 133 milhões de telespectadores simultâneos, no entanto Bad Bunny ultrapassou essa marca, ao reunir mais de 135 milhões

O show, realizado no último domingo (8/02), chamou atenção por ser conduzido majoritariamente em espanhol e por exaltar elementos da cultura latino-americana em um dos maiores palcos da indústria do entretenimento mundial.

O feito reforça o impacto global do artista, que já havia consolidado sua posição como um dos maiores nomes da música internacional. Bad Bunny foi o artista mais ouvido do Spotify por quatro vezes desde 2019, em 2024 e 2025, liderou novamente os rankings da plataforma consecutivamente. Inclusive com essa notoriedade, ele vem conquistando o público brasileiro, estima-se que as buscas por ele nos streams de música aumentaram cerca de 426% aqui no país.

Além disso, acumula diversos Grammy’s, incluindo o de Melhor Álbum, conquistado na última edição da premiação, sendo esse o prêmio mais aguardado todos os anos.

O show contou com participações especiais de Lady Gaga e Ricky Martin, ambas foram super simbólicas, com a Gaga cantando um de seus hits mais atuais, a música ”Die With a Smile” em ritmo de salsa, e Ricky cantando uma das músicas de protesto do álbum de Bad Bunny, ”Lo que pasa la hawaii”.

Tivemos também momentos emocionantes marcaram o espetáculo: Um dos destaques foi quando o artista entregou seu Grammy a uma criança latina no meio do show (criança essa que representou o Bad Bunny do passado ), gesto que emocionou o público, assim como um casamento real durante a apresentação da salsa ”baile inolvidable” que se inicia com a frase: ”enquanto se está vivo, deve se amar o mais que pode”.

Mas também tiveram protesto e crítica social, durante a performance da música “El Apagón”, Bad Bunny chamou atenção para os problemas recorrentes no fornecimento de energia elétrica em Porto Rico, que enfrenta apagões frequentes desde a privatização do serviço e o descaso dos EUA diante disso.

Apesar da audiência histórica, a apresentação também gerou críticas de parte do público e de figuras políticas (inclusive o presidente do país), que classificaram o show como uma afronta por ter sido cantado majoritariamente em espanhol no maior evento televisivo dos Estados Unidos.
Especialistas, no entanto, destacam que esse tipo de crítica ignora a própria formação histórica e cultural do país. Regiões hoje pertencentes a estados como Califórnia, Texas, Novo México e Arizona integraram o território mexicano, o que explica a forte presença do idioma espanhol e de referências latinas nesses locais.
Além disso, o espanhol já teve status oficial em diversas regiões, e grande parte da infraestrutura econômica e social dos Estados Unidos foi construída pela mão de obra de imigrantes latino-americanos. Soma-se a isso o fato de Porto Rico ser um território norte-americano, o que torna a cultura porto-riquenha parte legítima do mosaico cultural do país.

Com o mais novo recorde de audiência, unido ao sucesso estrondoso do álbum ”Debí Tirar Más Fotos’‘ e a turnê mundial que está fazendo, Bad Bunny passa a integrar um seleto grupo de artistas que marcaram o Super Bowl, ao lado de nomes como Beyoncé, Lady Gaga e Shakira, provando ser muito pop. A diferença, no entanto é notória: O cantor porto-riquenho alcança esse patamar levando a cultura latina ao centro do entretenimento global sem abrir mão de sua identidade cultural e linguística, além de utilizar sua arte com caráter de protesto, se tornando um representante real dos latinos , tudo isso sem ter que se submeter a indústria massiva estadunidense.

Como ele mesmo disse em ‘Nuevayol’ (uma das músicas mais famosas): ”“¿Cómo Bad Bunny va a ser rey del pop, ey, con reggaetón y dembow?” (Como Bad Bunny vai ser rei do pop, com reggaeton e dembow?).

Ao fazer movimentos como esse, Bad Bunny expande o que é pop.
Pop não é um estilo fechado, é aquilo que mobiliza massas, seja no idioma que for, com o público que for. 

 

 

Matéria: Júllia Lara – Redação 93 FM RADIO SHOW 

Fontes: Terra, BBC, G1…

 

 

 

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