
A astronauta Christina Koch compartilhou com a Nasa, na última sexta-feira (17), um vídeo que detalha os desafios físicos de retornar à gravidade terrestre. O registro que viralizou na internet, publicado uma semana após sua chegada, mostra a astronauta realizando exercícios específicos de equilíbrio, fundamentais para reorientar o cérebro após um longo período em microgravidade.
De acordo com Koch, a permanência no espaço altera os sistemas responsáveis pela orientação espacial, uma vez que os órgãos vestibulares param de funcionar corretamente e o cérebro aprende a ignorar seus sinais. Ao retornar, o corpo depende excessivamente da visão. “Uma caminhada em tandem com os olhos fechados pode ser um grande desafio”, explicou a astronauta, que já apresenta melhoras graduais em suas funções motoras.
A experiência faz parte dos estudos da missão Artemis 2, que levou astronautas à órbita da Lua após mais de cinco décadas. Diferente das missões do século passado, o foco atual da Nasa é testar e medir como o corpo humano e os sistemas da nave se comportam no “espaço profundo”, preparando caminho para estadias mais longas fora da Terra.
Impactos da microgravidade
Os efeitos da vida no espaço vão além do equilíbrio. Especialistas da Nasa e da Mayo Clinic apontam que a falta de gravidade causa perda de densidade óssea e atrofia muscular. Estudos indicam que astronautas podem perder coordenação motora e desenvolver um tipo específico de enjoo espacial devido à desorientação dos sistemas sensoriais.
Outras mudanças monitoradas incluem:
Sistema cardiovascular e imunológico: Os glóbulos brancos mudam de comportamento, o que pode ativar vírus latentes no organismo, embora sem efeitos graves registrados a longo prazo.
Alterações no DNA: A exposição à radiação no espaço pode modificar quimicamente o DNA. Dosímetros são utilizados na Estação Espacial Internacional para monitorar esse risco, que está associado ao aumento das chances de câncer.
Telômeros e envelhecimento: Um estudo comparativo entre os gêmeos astronautas Scott e Mark Kelly revelou que os telômeros — estruturas que protegem os cromossomos — chegaram a aumentar durante a permanência no espaço, possivelmente devido à dieta e rotina rigorosa de exercícios, voltando ao tamanho normal após o retorno à Terra.


